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64º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Trocar experiências com ribeirinhos de Belém e das 38 ilhas dos arredores da cidade foi a proposta da palestra ‘Acidentes com animais peçonhentos’, ministrada pelo professor da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) e médico colaborador do Hospital Vital Brazil - Instituto Butantan – SP, Vidal Haddad Jr, no último sábado, na Escola Bosque, em Outeiro. A atividade fez parte das ações de responsabilidade social do 64º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, que inicia no próximo sábado (05) e vai até o dia 09 de setembro, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia.

Vidal Haddad Jr tirou dúvidas dos pescadores e mostrou os principais animais peçonhentos da bacia hidrográfica da Amazônia entre eles, o bagre, a arraia, o candiru. O especialista explicou ainda, como proceder em casos de acidente. “No caso da ferrada de arraia, o ideal é colocar a parte atingida dentro de um balde com água quente, por cerca de meia a uma hora e meia, pois a temperatura quente minimiza o processo doloroso. É muito simples e imediato”, ensina.

Para identificar a arraia e prevenir acidentes na praia, segundo Vidal Haddad Jr, ao entrar na água deve-se arrastar o pé na areia, ao invés de levantá-los. Já no caso dos bagres, o médico orienta pegar o peixe com muito cuidado quando for retirá-los da rede de pesca, pois ele tem três ferrões ao lado do corpo e dois na frente. Entretanto, Vidal Haddad lembra que “nenhum desses animais ataca, se defende. Os ferrões e nadadeiras afiadas são mecanismo de defesa. 'Estamos sempre invadindo o ambiente deles, e os acidentes ocorrem por nosso descuido'.

A auxiliar de serviços gerais da Escola Bosque, Rosa Rodrigues, afirmou que já foi ferrada por arraia na Ilha do Jutuba, onde mora, e pela distância da capital, lembra que foi difícil o atendimento médico. Por essa razão não tomou nenhum medicamento e até hoje guarda a cicatriz. “Foi uma dor imensa que inchou e inflamou meu pé. Quando aconteceu a ferrada fiquei o dia todo paralisada, não comi, nem bebi nada, e durante seis meses convivi com a dor. Era tanta que não dá para explicar, mas a experiência e os aprendizados da palestra vou transmitir aos meus filhos e netos, com certeza”, revela Rosa Rodrigues.

Segundo o presidente do 64º congresso da SBD, Mario Miranda, muitas ações desenvolvidas pelos ribeirinhos na hora de remediar um acidente não representam o melhor procedimento, e, além disso, “a maioria das conseqüências desse tipo de acidente se expressa na pele, com lesões provocadas pelo veneno, como por exemplo, gangrena”, alerta o dermatologista. O médico orienta ainda que os acidentes podem ter consequências mais graves quando o veneno do animal atinge órgãos internos, coagulação sanguínea, sistema nervoso, entre outros.

Durante a palestra foram distribuídos cartilhas e cartazes para as comunidades das ilhas, com orientações e dicas sobre o os cuidados que devem ser tomados para que não haja complicações, principalmente entre as pessoas alérgicas, crianças e idosos.

 

 

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