Congresso de Dermatologia debate sobre Hanseníase
Preocupada com a elevada ocorrência de Hanseníase no Brasil, e em especial na Amazônia, onde as condições de vida da população nem sempre coincidem com as recomendadas pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e onde os casos da doença acometem, inclusive, crianças e adolescentes, a comissão organizadora do 64º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia promoveu nesta quarta-feira (02), o seminário educativo ‘Hanseníase: Esta causa pode ser sua’.
Aproximadamente 500 pessoas participaram do seminário que foi realizado em dois turnos no auditório do Colégio Ideal. Pela manhã, os trabalhos foram destinados aos agentes e profissionais de saúde que atuam no Programa Saúde da Família (PSF) da capital e em alguns municípios do interior, responsáveis pelo cuidado e controle da doença. À tarde, as palestras foram voltadas para os médicos, acadêmicos de medicina da Universidade Federal do Pará (UFPA), da Universidade do Estado do Pará (Uepa) e do Centro Universitário do Pará (Cesupa).
Para o Mario Miranda, médico e presidente do Congresso, “com ao invés de prestar atendimento assistencial à comunidade, a comissão organizadora preferiu agir difundindo novos conhecimentos entre os profissionais que já tratam diretamente com a doença - como é o caso dos agentes do programa saúde da família -, e os profissionais que possam vir a tratar desses casos, ou seja, os acadêmicos de medicina”.
Participaram do seminário os especialistas Gerson Penna, que falou sobre ‘Situação epidemiológica atual no Brasil e no mundo’; Marilia Brasil, com o tema ‘Diagnóstico clínico e laboratorial da hanseníase – abordagem prática, classificação e exames complementares’; Maria Leide Wand Del Rey, que fez uma exposição sobre o tema ‘Hanseníase: Doença interdisciplinar. A patologia sob a ótica das diversas especialidades’ mostrando como a patologia pode atingir várias especialidades médicas como a fisioterapia em casos onde o doente fique com alguma seqüela, e Cláudio Salgado, com a abordagem ‘Hanseníase na infância. A gravidade de incidência e suas complicações’, que foi um dos temas mais importantes abordados. Durante o encontro Claudio Salgado esclareceu que a hanseníase pode demorar até 10 anos para se manifestar e quando uma criança apresenta a doença é porque certamente foi contaminada por um adulto, podendo vir a sofrer graves sequelas.
A coordenadora das ações de responsabilidade social do 64º Congresso da SBD, Rosemary Goés, criticou alguns pontos dentro do tema hanseníase na infância que, segundo ela, são negligenciados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). “A realização do exame de comunicante feito em todas as pessoas que tem contato direto com a criança infectada para diagnosticar o portador principal da doença, não é realizado como rotina nos postos de saúde”. Rosemary também afirma que “o exame garante um tratamento mais eficaz, eliminando o risco de contaminação de outras pessoas ou até mesmo a reincidência da doença nas crianças contaminadas”. Para ela é importante a conscientização dos adultos contaminados para a realização dos exames para comprovar a presença da doença uma vez que, constatada a hanseníase , o tratamento é longo e dura de 6 meses a 1 ano até a cura total, sendo que o tratamento é realizado gratuitamente em qualquer posto de saúde do SUS.
Os números da hanseníase no Brasil são alarmantes, segundo dados do Ministério da Saúde. No país, os casos chegam a oito mil, sendo quatro mil apenas no estado do Pará. O Brasil ocupa a segunda posição no ranking mundial em doentes hansenianos e o Pará é o estado que apresenta o maior número de casos no país, sendo o município de Redenção o mais afetado. Segundo dados da OMS o número de casos aceitáveis de hanseníase é de um para cada dez mil habitantes sendo que no Pará essa proporção está em 20 habitantes doentes para cada dez mil sadios.
Congresso
O 64º Congresso da SBD acontece em Belém, no período de 05 a 09 de setembro de 2009, no Hangar Centro de Convenções e Feiras da Amazônia. Entre os principais eixos temáticos do encontro, que pretende reunir cerca de 2500 dermatologistas nacionais e internacionais na capital paraense, estão a dermatologia clínica, cirurgia dermatológica, cosmiatria e procedimentos auxiliares de diagnóstico em dermatologia.
O congresso da SBD, que acontece pela terceira vez em Belém, tem a proposta de atualizar conhecimentos, trocar experiências e interagir em tempo real com as diversas atividades que serão oferecidas aos congressistas. Para isso, a comissão organizadora do evento preparou uma grande estrutura com amplos auditórios, áreas de exposição e salas multiuso, todas com tecnologia de ponta instalada.
Para participar do 64º Congresso da Sociedade Brasileira de Dermatologia, os interessados devem fazer suas inscrições apenas na secretaria do evento, localizada no Hangar, a partir das 15h, do dia 04 de setembro de 2009. Mais informações pelo site www.sbd.org.br.
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